Como a inovação nas empresas ajuda a criar a perenidade
Em um cenário de mercado cada vez mais volátil e competitivo, a perenidade de um negócio deixou de ser uma consequência natural do tempo e passou a ser um resultado direto da capacidade de
inovação nas empresas
. Para médias empresas, especialmente nas áreas de serviços e indústria, a compreensão e aplicação de técnicas de inovação não é mais um luxo, mas uma necessidade para garantir a sobrevivência e crescimento sustentável.
O cenário atual destaca a urgência do problema: de acordo com a ANPROTEC 2015, 7 em cada 10 negócios no Brasil fecham as portas por falta de inovação, e a taxa de inovação da indústria brasileira caiu para 64,6%. A falta de prioridade para capacitação e exploração de novos perfis de inovação é creditada como uma das causas para a degradação desse índice; por outro lado, um levantamento da FDC revela que médias empresas com maior faturamento são mais produtivas nos setores de indústria e serviços, indicando potencial inexplorado deste diferencial competitivo.
Resumo: Vamos tratar de como a inovação nas empresas se torna um alicerce para longevidade de negócios com foco em técnicas comprovadas e cases reais.
O que é inovação no contexto B2B?
Inovação não se resume a criar um produto revolucionário. Para médias empresas, a inovação pode e deve se manifestar em três áreas principais:
a) Inovação de Produto/Serviço: Melhorar ofertas existentes ou criar novas soluções que atendam a necessidades não satisfeitas do mercado.
b) Inovação de Processo: Otimizar operações internas para aumentar a eficiência, reduzir custos e melhorar a qualidade.
c) Inovação de Modelo de Negócio: Repensar como a empresa cria, entrega e captura valor.
Um estudo de 200 empresas britânicas, realizado durante várias décadas, concluiu que a inovação afeta diretamente com um efeito positivo a probabilidade de sobrevivência a longo prazo.
Metodologias comprovadas para estruturar a Inovação
Existem metodologias que permitem estruturar o processo de inovação e orientar rigorosamente a trajetória da ideia à implementação.
1. Design thinking: foco no cliente
Centrado no cliente, Design Thinking é uma abordagem centrada no ser humano para solução de problemas. O processo de inovação se concentra na empatia com o cliente. Por exemplo, no caso de uma pequena empresa de serviços, isso pode significar que é preciso repensar toda a jornada do cliente a partir de uma folha em branco para remover todos os pontos de atrito. No caso de uma indústria, isso pode significar pensar na ergonomia de uma nova máquina, com o foco no operador.
Além disso, Design Thinking se desdobra em cinco etapas:
a) Empatia: Entender as necessidades e dores do cliente de forma profunda.
b) Definição: Sintetize o que foi aprendido em um problema claro que precisa ser resolvido.
c) Idealização: pense em soluções fora da caixa sem julgar.
d) Prototipagem: Construir algo para resolver um problema.
e) Teste: Coloque seu protótipo nas mãos dos clientes.
2. Lean Startup: Agilidade e Validação
Uma metodologia que se tornou popular é a lean startup, que foca em ciclos intermináveis de construir, medir e aprender. Isso significa testar rapidamente as hipóteses de negócios com o mínimo de tempo e desperdício de recursos.
O conceito de produto mínimo viável é crítico: isso significa a versão mais simples de um produto ou serviço, desde que ofereça ao empresário a oportunidade de aprender o máximo sobre os clientes. Isso pode ser um lote piloto de novo produto para uma média empresa, oferecido aos principais clientes, ou uma nova forma de vendas para uma empresa de consultoria.
3. Open Innovation (Inovação Aberta)
Open Innovation opera com o princípio de que nem todas as ideias brilhantes estão dentro da empresa. Assim, ela sugere a colaboração com parceiros externos, como universidades, startups, fornecedores ou mesmo clientes, a fim de acelerar a inovação.
Ela pode ser uma forma extremamente eficaz para a média empresa acessar conhecimento e tecnologias sem altos investimentos internos em P&D.
A indústria de médio porte, por exemplo, poderia lançar um desafio a várias startups: quem desenvolver a melhor solução para um problema específico identificado na sua linha de produção, será contratada para executar.
Uma empresa de serviços, por sua vez, poderia co-criar uma nova oferta com uma consultoria especializada numa área comercial complementar.
Cases reais
Case 1: Indústria Metalúrgica
Uma empresa brasileira do setor metalúrgico dispendia muito com o desperdício de matéria-prima e um tempo elevado de setup de máquinas. Adotando princípios de Lean Startup, criou equipes multifuncionais para mapear todo o processo de produção. Em uma semana de workshops de ideação inspirados no Design Thinking, os próprios operadores sugeriram mudanças no layout da fábrica e na disposição das ferramentas.
Como resultado, implementou-se um novo sistema de setup rápido e otimizou-se o corte das chapas de metal. Em 12 meses, a empresa reduziu o desperdício em 18% e o tempo de setup em 40%, o que permitiu um aumento significativo na margem e na capacidade produtiva, sem a necessidade de comprar novas máquinas.
Caso 2: Empresa de Contabilidade
Uma empresa de contabilidade de médio porte percebeu que seus clientes, na maior parte pequenas empresas, não precisavam apenas de serviços contábeis mas, de fato, de uma gestão financeira estratégica. Em vez de continuar vendendo “contabilidade”, a empresa se repaginou como um “CFO as a Service”.
Com o Lean Startup, eles criaram o MVP dessa nova oferta para três clientes existentes. Além da tradicional contabilidade, o serviço incluía relatórios gerenciais mensais, planejamento orçamentário e reuniões estratégicas. O retorno positivo confirmou, ou seja, validou o modelo, que foi lançado ao mercado. A empresa aumentou seu ticket médio em 60% e se diferencia radicalmente da concorrência comoditizada.
Como começar a inovar de forma estruturada
Para médias empresas, o primeiro passo é criar uma cultura que valorize a experimentação e não puna o erro. Algumas dicas práticas:
. Comece pequeno: selecione um problema específico e use uma metodologia de inovação para resolvê-lo.
. Envolva a equipe: as melhores ideias muitas vezes vem da linha de frente.
. Reserve tempo e recursos: dedique uma pequena porcentagem do tempo da equipe e do orçamento para projetos de inovação.
. Meça os resultados: defina métricas claras para avaliar o sucesso de cada iniciativa.
. Procure parcerias: se conecte com o ecossistema de inovação local universidades, incubadoras e aceleradoras.
Desafios comuns na implementação da Inovação
Para as empresas, especialmente as de porte médio que muitas vezes operam com menos recursos do que seus concorrentes, a jornada para se tornar inovador não é isenta de desafios. Alguns dos principais obstáculos para se tornar empresa inovadora: resistência à mudança; falta de recursos: tempo e dinheiro; dificuldade para mensurar o ROI e medo do fracasso.
Os funcionários, e até mesmo os líderes, podem estar acostumados a determinados processos e ver a inovação como uma ameaça à estabilidade. A falta de recursos pode se tornar um problema se, como em sua maioria, a inovação não for garantida.
Será melhor abordar essa questão seguindo a estratégia que aprendemos com o texto do Lean Startup. Assim, com a política “20% do tempo” conhecida da Google, para a empresa é melhor adotar a marca “5% do tempo” para que os funcionários, por exemplo, em média por semana, gastem algumas horas trabalhando em uma única ideia.
A dificuldade para mensurar o retorno do investimento também é possivelmente decisiva. Por fim, o medo do fracasso pode paralisar a empresa. No entanto, é importante, ao descrever a própria inovação, redefinir o que significa fracasso. Um experimento que mostrará que a inovação é inútil deve ser considerado uma falha que poderia salvar a empresa de gastar dinheiro em implementação.
A perenidade de uma empresa no século XXI está diretamente ligada à sua capacidade de se adaptar e inovar. Para as médias empresas dos setores de serviços e indústria, a inovação não é uma opção, mas o caminho para construir um negócio resiliente e competitivo.
Ao adotar metodologias como Design Thinking, Lean Startup e Open Innovation, e ao fomentar uma cultura de experimentação, os empresários podem transformar a inovação de um evento esporádico em um motor contínuo de crescimento e longevidade.
Referências:
[1] Terra. (2025, September 26). 7 em cada 10 empresas no Brasil quebram por falta de inovação.
[2] CNN Brasil. (2024, October 8). Estudo inédito foca na produtividade das médias empresas brasileiras.
[3] Ortiz-Villajos, J. M., & Sotoca, S. (2018). Innovation and business survival: A long-term approach. Research Policy, 47(8), 1418-1436.
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